Infraestrutura - O grande dilema
23/09/2011
, Posted by Ramonna Dias at 12:21
Alto índice de criminalidade,
estupros, expectativa de vida inferior aos 60 anos, uma infraestrutura precária
em transporte ferroviário e engarrafamentos. “Que país é esse?”
Até seria o Brasil se algumas
características não fossem tão peculiares. A África do Sul que sediou a Copa do
Mundo de 2010 nesse período sofreu com todos esses percalços e ainda sofre com
a Aids e a discriminação que parece não ter tido fim mesmo com a expectativa
recente e o histórico de 1995, em que o então presidente Nelson Mandela
conclamou a população negra a torcer pelos Rugby (time dos brancos em que havia
somente um negro) para pôr fim ao então preconceito histórico.
Observações à parte, o Brasil que
sediará a Copa do Mundo em 2014 sofre com problemas de infraestrutura similares
ao do país em tela. Superlotações nos meios de transporte, criminalidade em
alta ( mesmo com a implantação das UPPs- Unidades de Polícia Pacificadora no
Rio de Janeiro), e o que mais pode atrapalhar os jogos assim como o apagão que
houve em 2007 nos Panamericanos no Rio de Janeiro, é o atraso na construção e
reforma dos estádios. Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro,
Curitiba, São Paulo, Recife, Cuiabá, Fortaleza, Natal, Manaus e Salvador estão
no limbo. O Maracanã situado na “cidade maravilhosa” com capacidade para
suportar até 78.639 lugares, aguarda o término das obras para atender a Copa
das Confederações em 2013. As obras que ficaram em R$ 860 milhões parecem não
ter fim. Com a entrega marcada para fevereiro de 2014 o estádio do Corinthians
em São Paulo (provável palco de abertura dos jogos), está com a entrega no laço
com apenas 10,65% pronto, segundo a empreiteira Odebrecht.
Atrasos e estagnações são um ponto,
isso porque o Rio de Janeiro um dos principais palcos do mundial, ainda tem
muito o que estruturar para receber o mundo em um dos maiores eventos que
existe.
Comparar os problemas de infraestrutura dos
dois países não é surpresa, na verdade eles têm muito em comum, inclusive a
emergência no cenário mundial. Mas há uma curiosidade nos fatos que envolvem
esse assunto com relação a Copa na áfrica do Sul.
O país que não tinha transportes
suficientes para atender a demanda de torcida, de turistas, recebeu da empresa
brasileira Marcopolo 400 ônibus que atenderam mais a imprensa do que a
população, que por curiosidade não viaja em pé nos ônibus, o que põe ordem e
dificulta o andamento da situação ao mesmo tempo. Quando a Marcopolo chegou ao
país, a máfia local metralhou um dos ônibus. No Brasil, o que pode acontecer
são os assaltos sagrados de todos os dias difíceis de controlar, o que não pode
haver é outro assalto ao ônibus 174. Tudo isso parece impossível de conter,
afinal, os bandidos que foram expulsos dos morros estão buscando seu meio de
sobrevivência no asfalto, o que põe ainda mais em risco quem vive nessa região
nada estratégica para eles com relação a polícia, o que conseqüentemente põe a
população cada vez mais exposta ao perigo de assaltos, furtos e intimidações.
No país africano, os hospedes recebiam orientações quanto a sair a noite por
causa do número de estupros, e no Brasil, qual será a orientação? Dizer que
estamos ou não preparados é uma conjectura, já sediamos jogos importantes, e
somos um dos países em maior desenvolvimento nos últimos tempos, que as
autoridades dêem atenção aos detalhes para que assim como na África do Sul os
fatos graves não tornem-se gravíssimos.
Por Fernanda Kinsky






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