Manifesto da Sociedade ao Poder Legislativo Municipal

17/02/2011 , Posted by Ramonna Dias at 17:51

pedro-manhasTrinta e quatro dias se passaram desde a maior catástrofe natural registrada em nosso País. Vidas foram ceifadas em toda região serrana; casas foram destruídas deixando milhares de desabrigados, bairros inteiros arrasados, comércios perdidos, agricultura e produção locais interrompidas, vidas abaladas por um sentimento de insegurança e medo.

De quem é a culpa? De quem é a responsabilidade? Neste primeiro momento isso não importa, porque a prioridade é ajudar pessoas.

Em auxílio a esse sofrimento imediato, o mundo se mobilizou enviando toneladas de doações, e pudemos perceber que as águas que destruíram famílias, derrubaram também as barreiras que dividem os seres humanos em grupos.

Unidos pela dor não existiam mais ricos, pobres, brancos, negros, cristãos ou judeus. Era possível vermos pessoas de todas as condições sociais em busca de algum sinal de vida em meio aos escombros; outras socorrendo em seus braços os filhos de pais e mães que nem sequer conheciam.

Cumprindo seu papel social, os governos Estadual e Federal se comprometeram com o envio de milhões de reais para a reconstrução da vida dessas pessoas. Mas as notícias que chegaram trazendo esperança foram as mesmas que causaram temor à população. Repetimos: O que seria motivo de esperança e conforto se transformou em preocupação.

Afinal, rumores de desvios de doações e recursos financeiros, constantemente veiculados pela mídia, geraram um sentimento de dúvida em relação a tudo o que está para acontecer com as verbas prometidas.

Para piorar, algumas ações do poder público municipal também são revestidas de pontos nebulosos fazendo com que grande parte da população questione esses atos.

Por isso, enquanto as vítimas são atendidas e tentam encontrar forças para enfrentar a dura realidade de um recomeço incerto, cabe a todos nós fiscalizar os atos daqueles que, direta ou indiretamente, estarão envolvidos com a aplicação dos recursos financeiros que trazem a esperança da reconstrução da vida dessas pessoas, vitimizadas pelas águas de janeiro.

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Assim, comprometidas com a verdade, com a solidariedade, e principalmente, comprometidas com o ser humano, entidades representativas da Sociedade Civil Organizada do município, presentes e participantes, hoje e em várias assembléias anteriores, através de seus representantes, buscaram junto ao governo municipal, a possibilidade de participar ativamente nas decisões relativas à destinação e aplicação de toda doação e verba esperada para a reestruturação de Teresópolis.

No entanto, o poder executivo municipal, sentindo-se ameaçado em suas prerrogativas governamentais, entendeu que a participação da sociedade nas deliberações relativas ao emprego dos recursos e meios destinados ao atendimento da situação de calamidade estaria lhe retirando o poder e optou por manter as entidades como espectadoras de seus atos, concedendo apenas uma função legitimadora de acompanhar e avaliar os atos administrativos já realizados, gerando total desconforto nas entidades responsáveis por sua própria imagem e conceito na Sociedade Civil Organizada.

Diante deste caos todo a população de Teresópolis no dia 15 de fevereiro, (terça-feira) se apresentou em frente a Camara Municipal da Prefeitura de Teresópolis com movimento exigindo a fiscalização dos recursos financeiros, e com finalidade de que o governo realmente deixe claro para todos e seja divulgado verdadeiramente o número de óbitos, desaparecidos, e desabrigados, pois como foi declarado Calamidade Pública, nós assim como o prefeito Jorge Mário sabemos que estes números estão completamente incorretos. Exigimos a verdade e transparência.

Leia abaixo o depoimento do Major João Luiz Lincoln feito durante a manifestação em frente à Camara de Vereadores no dia 15 de Fevereiro:

major-joao-luis"Eu e meus amigos começamos um movimento na internet que resultou neste movimento. Nosso objetivo está sendo conduzido neste momento na Câmara Municipal, onde será lida uma carta entregue aos vereadores, buscando exigir um comportamento decente dos vereadores, e a fiscalização desta sem-vergonhice que está acontecendo ali ao lado.

É muito desumano diante de tantas pessoas que morreram fazer o que está sendo feito, os veículos estão saindo da garagem do Perpétuo com uma ordem escrita "Posse", mas todos vão somente até a Fazenda da Paz. Queremos um projeto para que possamos saber o que irá acontecer na cidade, principalmente na área da saúde.

Está acontecendo algo inédito na sala da Câmara Municipal: Juntaram maçonaria, Igreja Católica, Evangélica, Empresário, Comerciante, moradores das áreas atingidas (que fique bem claro que não sou crente, católico e não creio em cristo). Todos unidos com a finalidade de exigir este projeto.

Peço a todos vocês neste momento para que se concentram e fiquem atentos aos avisos, e que nos ajudam a fazer mais movimentos com este. Então, por favor, não vamos fazer nenhuma infiltração, pois o prefeito Jorge Mário esta andando com a proteção de segurança ao lado. Portanto, quando a pessoa começa a fazer isso é porque não está bem intencionada, podendo plantar alguem entre nós para fazer alguma maldade (violência, pois não terá outra saída), vamos ter cuidado com isso. A polícia esta aqui para nos proteger, fazendo o trabalho deles.

Então hoje será o início, peço as pessoas que puderem que permaneçam aqui unidas, aguadando a saída das pessoas que estão dentro da reunião da Câmara para que possam nos dizer o que irá acontecer" (sic).

Pedro Manhãs

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